ENTREVISTA - ADALBERTO

Silvia Marques - Outubro / 2003



(Foto: Divulgação Metodista/São Bernardo)


Nome Completo: Adalberto Pereira da Silva

Data de Nascimento: 12 / 5 / 1979

Naturalidade: Teófilo Otoni - MG

Altura: 1, 89 m

Peso: 109 kg

Posição: Pivô e Armador Direito

Equipe: Metodista/São Bernardo



Adalberto comemora a vitória nos Jogos Abertos 2003


AH - Como e onde você começou a jogar, e por quais clubes já passou?

Adalberto -
Comecei a jogar em 93 na minha cidade, Teófilo Otoni, no América Futebol Clube. Fiquei lá por um ano e meio, então me transferi para a cidade de Ipatinga, para a Associação Atlética Aciaria, que hoje tem o nome Aspas/7 de Outubro e está inclusive participando da Liga Nacional. No final de 96 fui contratado pela Metodista, onde comecei a jogar na temporada de 97.

AH - Como surgiu a oportunidade de vir para a Metodista?

Adalberto -
O convite surgiu em novembro de 96. Eu estava jogando o Campeonato Sul-Americano Juvenil de Seleções em Curitiba e Prof. Alberto Rigolo estava presente no campeonato, pois era supervisor das categorias de base. Ele me viu jogar e me passou o telefone dele para que eu entrasse em contato depois do campeonato. O dia 15 de dezembro ficou marcado como uma data especial, pois foi o dia em que eu entrei em contato e foi oficializado o convite. Me apresentei à Metodista em janeiro de 97 para a realização de exames médicos e estou aqui até hoje!


Durante um dos muitos campeonatos já disputados pela Metodista
(Foto: Divulgação Metodista/São Bernardo)


AH - Quando foi sua primeira convocação para a Seleção Brasileira?

Adalberto -
Em 96 fui convocado para a Seleção Juvenil, e a partir daí fui chamado regularmente, para as Seleções das categorias Juvenil e Júnior. Fiquei uma época sem ser convocado, durante a permanência do Prof. Sérgio Hortelan como técnico da Seleção, e minha primeira convocação para a Seleção Adulta foi no início de 2002, quando o Prof. Alberto Rigolo reassumiu a equipe. Hoje faço parte do plantel da Seleção Olímpica Permanente.

AH - Você tem algum ídolo no handebol?

Adalberto -
Sim, meu ídolo no handebol é o Santo Baldacin Neto.

AH - Qual foi a vitória mais marcante da sua carreira?

Adalberto -
Pela Seleção, foi o Campeonato Pan-Americano Júnior de 99, em San Juan, Porto Rico. Vencemos a Argentina na final, que era a favorita absoluta, e classificamos o Brasil para o Mundial do Qatar no mesmo ano. Pela Metodista, a vitória que me marcou foi o Campeonato Paulista Júnior de 1999. Foi uma final difícil contra o Pinheiros, e teve um significado especial porque eu era o capitão da equipe. Na categoria adulta, uma vitória marcante foi a final do Campeonato Sul-Americano de Clubes de 1999, contra o Lujan, que estava na disputa mas não era um clube, era uma Seleção Argentina, e conseguimos vencê-los. Além disso, as seis conquistas da Liga Nacional foram marcantes!

AH - E a derrota inesquecível?

Adalberto -
Foi a final dos Jogos Sul-Americanos de 2002, em São Bernardo. Perdemos para a Argentina em casa. Foi inesquecível e me magoou muito.

AH - Falando em Liga Nacional, quais as expectativas para este ano?

Adalberto -
Nosso principal objetivo este ano era ganhar os Jogos Abertos, e conseguimos. É muito importante para a nossa parceria com a prefeitura de São Bernardo, que juntamente com a Metodista nos dá estrutura para treinar e vencer os demais campeonatos. Nada mais justo do que retribuir a cidade com esse título. Havíamos perdido os Jogos Abertos do ano passado e os Jogos Regionais para São Caetano, portanto foi muito importante. Na Liga, estamos numa crescente, tivemos alguns resultados anormais na 1ª rodada, como o empate contra Maringá em casa, e algumas baixas, como o Sidney, o SB e o cubano. Mas estamos treinando para manter o rendimento que alcançamos nos Jogos Abertos.


Final entre São Bernardo e São Caetano nos JAI's 2003


AH- Você já pensou ou pensa em jogar fora do Brasil?

Adalberto -
Penso em um dia jogar no exterior. Estou bem na Metodista, que acredito ser a melhor estrutura do Brasil atualmente, e a minha decisão de ir ou não para fora do Brasil dependerá de dois fatores: se algum dia eu for dispensado da Metodista ou se surgir um convite oficial de um clube no exterior. Se eu receber o convite, vou sentar com o Prof. Alberto Rigolo para ouvir a opinião dele e tomar a decisão mais acertada, que seja positiva para mim e para o clube.

AH - Já surgiu alguma oportunidade?

Adalberto -
Eu já fui mencionado por alguns treinadores no exterior. O assistente técnico do clube onde o Bruno joga, o Frisch Auf, treina também um clube da 3ª divisão alemã. Durante a preparação para o Mundial de Clubes do Qatar, em 2002, a Metodista fez uma excursão de 15 dias pela Alemanha, e jogamos contra as duas equipes. Na ocasião, houve o interesse em me levar para essa equipe de 3ª divisão, e havendo a oportunidade, eu irei até lá fazer uma bateria de testes. O Bruno está em contato direto com esse treinador e se dispôs a me ajudar com o idioma e me hospedar na casa dele para que eu realize esses testes. Acredito que isso possa acontecer futuramente.


Durante a viagem à Alemanha em 2002


AH - Você acha que a repercussão do handebol na mídia depois do Pan foi passageira ou acredita que está acontecendo uma evolução efetiva?

Adalberto -
Acho que está havendo uma evolução sim, e que não é momentânea. Não somente pelo resultado do Pan, mas também pelo 8º lugar da Seleção Júnior Masculina no Mundial, pelo Campeonato Pan-Americano vencido pela Seleção Cadete, enfim. A Confederação hoje tem a verba da Petrobrás e temos tido uma melhora, nas acomodações e refeições oferecidas aos atletas, por exemplo. Hoje as categorias inferiores têm uma estrutura muito melhor do que há alguns anos atrás. Quando eu era Juvenil, cheguei a ter que arcar com despesas de transporte e alimentação, o que não acontece mais hoje.

AH - E você não acha que faz falta um programa sobre handebol na TV, que traria ainda mais repercussão, e conseqüentemente mais recursos?

Adalberto -
Eu acho que, apesar de termos o incentivo da ESPN Brasil, precisaríamos de mais espaço na TV aberta, que tem um alcance maior no Brasil todo. A respeito do programa sobre handebol, chegou aos ouvidos do Trajano, da ESPN Brasil, essa cobrança. A Sandra e a Pará estiveram no "Bate Bola com o Assinante" e falaram sobre a necessidade de se fazer o "Por Dentro do Handebol".

AH - O que você faz além de jogar? Estuda ou trabalha?

Adalberto -
Eu estudo Educação Física na Metodista, me formo no final deste ano. Também dou aulas às quartas e sextas junto com o Agberto no AMAS, que é um dos pólos do "Projeto Escola de Esportes", localizado no Jabaquara. Fazemos um trabalho de iniciação esportiva com as crianças da região.

AH - Fale um pouco sobre o dia-a-dia do projeto...

Adalberto -
No AMAS, trabalhamos com crianças carentes, da periferia de São Paulo, e temos que nos focar não em formar atletas, e sim cidadãos. Essas crianças necessitam de muito apoio e, através de atividades esportivas, procuramos meios para que elas se insiram na sociedade. Nosso trabalho enfatiza o lado educativo, de sociabilização. Não cobramos o gol ou o passe que não foi feito, tentamos fazer com que elas se divirtam através do esporte e sintam prazer em estar ali, pois é a única oportunidade que elas têm de brincar, fora dali suas histórias são muito difíceis.

AH - Você suplementação alimentar?

Adalberto -
Uso maltodextrina e proteína. Mas tudo devidamente prescrito e orientado pelo Dr. Marcelo Spínola.

AH - E o que pensa de doping?

Adalberto -
É um assunto que incomoda todo mundo, seria hipocrisia falar que não existe doping no esporte. Eu particularmente acho que existem outros meios de se atingir um resultado expressivo. Através de uma suplementação prescrita por um fisiologista, orientação nutricional e psicológica você pode atingir o seu pico sem precisar de nada disso, mas infelizmente existem atletas que pensam pequeno e se deixam induzir por falsos fisiologistas, que incentivam o doping.

AH - Deixe o seu conselho para quem está iniciando no esporte...

Adalberto -
Eu aconselho às crianças e jovens que ouçam os professores, prestem atenção naqueles querem te ensinar. Também sempre questionem, nunca saiam da quadra com dúvidas e acima de tudo estudem, nunca deixem a escola de lado. Quem está começando agora com certeza vai ter bons resultados no futuro, nós da Metodista estamos trabalhando para deixar uma boa estrutura para as gerações futuras.

AH - E, para finalizar, qual é o seu recado para os torcedores da Metodista e as pessoas que acompanham o handebol em todo o Brasil?

Adalberto -
A Metodista tem uma torcida muito fiel, que está sempre nos jogos, e eu gostaria de convocar os torcedores para estarem com a gente nessa fase final da Liga! Para os torcedores do Brasil, peço que não parem de jogar e nos ajudem na divulgação do esporte. Parabenizo vocês pelo espaço, e gostaria de mandar um abraço para o pessoal de Minas, de Ipatinga, e agradecer muito ao Prof. Alberto Rigolo, e a toda comissão técnica e os jogadores da Metodista, que vêm me dando apoio durante todos esses anos, e se não fossem eles eu não estaria aqui hoje.

AH - Muito obrigado pela sua participação, e boa sorte neste final de temporada!


(Foto: Divulgação Metodista/São Bernardo)




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