ENTREVISTA - AGBERTO
Silvia Marques - Janeiro / 2004

Nome Completo: Agberto Correa de Matos
Data de Nascimento: 8 / 4 / 1972
Naturalidade: Santos - SP
Altura: 1,94 m
Peso: 108 kg
Posição: Armador Esquerdo
Equipe: Metodista/São Bernardo
 Contra a Argélia, durante o Mundial de Portugal/2003
AH - Quando você começou a jogar e qual foi a sua trajetória até chegar à Metodista?
Agberto - Comecei a jogar em 1986, no E.C. Cubatão, onde fiquei até 1992. Em 93, me transferi para a Metodista e estou aqui até hoje.
AH - Quando foi a sua primeira convocação para a Seleção Brasileira?
Agberto - Minha primeira convocação foi em 1993, para a Seleção Júnior. Assim que vim para um grande centro, para a Metodista, já fui convocado, porque lá em Cubatão não havia muitas oportunidades. Para a Seleção Adulta fui convocado pela primeira vez em 1994.
AH - Quais foram os principais campeonatos em que você esteve com a Seleção?
Agberto - Mundiais da Islândia/95, Japão/97, França/2001 e Portugal 2003. Estive também nas Olimpíadas de Atlanta/96, nos Jogos Pan-Americanos de Mar Del Plata/95, além de Campeonatos Pan-Americanos e Sul-Americanos.
AH - E você esteve em todas as conquistas da Metodista?
Agberto - Sim, participei das conquistas de todos os títulos ao longo dessa década. Fomos seis vezes campeões da Liga Nacional, cinco vezes campeões sul-americanos, quatro vezes campeões dos Jogos Abertos do Interior e três vezes campeões paulistas, entre outros títulos.
 Agberto defende a Metodista desde sua fundação, em 1993 (Foto: Divulgação Metodista/São Bernardo)
AH - Você não pôde estar em Santo Domingo por conta de uma contusão. Como foi para você não conseguir se recuperar a tempo?
Agberto - Eu me contundi durante o Mundial de Portugal, em janeiro de 2003, e foi muito ruim porque meu foco era esse, era muito importante para mim ir para esse Pan. Eu não fui para Winnipeg em 99, o técnico na ocasião não chegou nem a me convocar. Eu me recuperava de uma lesão, mas já estava bem, já estava jogando havia oito meses, mas mesmo assim não cheguei nem a ser avaliado. Para o Pan de 2003, eu vinha trabalhando forte com a Seleção havia um ano e meio, e estava muito bem até o Mundial. Me machuquei no dia 28 de janeiro e operei em 28 de março. Foi uma cirurgia complicada, na mão direita, e não houve tempo hábil para a recuperação. Foi uma frustração grande...
AH - Como foi acompanhar a conquista da vaga Olímpica aqui do Brasil?
Agberto - Torci bastante, eu sabia que era a nossa primeira chance real de ganhar um Pan-Americano. Em 95 não tínhamos chance, em 99 batemos na trave, mas dessa vez entramos em condição de igualdade. O Brasil levou uma equipe forte, com condições de ganhar. Sofri bastante daqui, mas o importante é que conseguimos a vaga e agora é pensar para frente, trabalhar para tentar estar no grupo que irá para Atenas.
AH - Depois de estar totalmente recuperado da contusão na mão, você voltou a se machucar. Como foi e como está a sua recuperação?
Agberto - Fui operado no dia 23 de dezembro. Tinha uma lesão no joelho direito que não era tão simples e foi preciso fazer uma artroscoscopia. Tinha a opção de não operar e aguardar para ver se a lesão se estabilizava naturalmente, mas tanto eu como o médico preferimos não arriscar. A minha recuperação foi estimada em 45 dias, portanto em meados de fevereiro já devo estar treinando normalmente.
 Agberto comemora ao lado da filha a conquista dos JAI's 2003, que marcou a volta do jogador depois da contusão que o tirou do Pan
AH - Você acha que o handebol continua tendo o reconhecimento devido ou que a febre do Pan já passou?
Agberto - O reconhecimento vem crescendo, mas concordo que de forma lenta. O handebol tem conseguido espaço na TV, novos patrocínios, mas ainda falta investimento, pode melhorar bastante. Mas quem irá fazer o momento somos nós mesmos, não podemos deixar passar. Temos que tirar o máximo de proveito dessa conquista do título Pan-Americano e da vaga Olímpica e perpetuar esse crescimento. Eu acredito que ainda é um bom momento, ainda continuamos em evidência, a mídia continua nos procurando e o caminho é esse.
AH - Você já recebeu propostas para jogar fora do país? Ainda considera a possibilidade?
Agberto - Já tive algumas... Recebi uma proposta de Portugal, em 95, mas fiquei com um pouco de receio. Em 96, fui para as Olimpíadas de Atlanta, recebi também propostas de alguns clubes, mas logo em seguida sofri uma série de contusões no ombro e fiquei 97 e 98 com esses problemas. Continuei a receber propostas de Portugal, mas não tinha condições por causa do ombro. Em 2001, durante o Mundial da França, recebi um convite de um clube da 2ª divisão francesa, mas na época eu já havia me casado, coloquei na balança e optei por priorizar a família. Além dessas, cheguei até a receber uma proposta de Israel, mas não me seduziu.
AH - Portanto, se você recebesse um convite hoje, não aceitaria...
Agberto - Teria que ser uma proposta muito boa, porque tenho família, tudo, então a proposta teria que me oferecer estabilidade, um contrato longo, para valer a pena eu ir com a família. Não descarto totalmente a possibilidade, mas seria muito difícil eu ir.
 Durante treino da Seleção Brasileira (Foto: CBHb)
AH - Qual é sua formação profissional?
Agberto - Sou formado em Educação Física, com pós-graduação em Treinamento Desportivo, e tenho também alguns cursos na área. Pretendo ainda fazer alguma outra especialização, mas somente quando parar de jogar porque cursos de pós-graduação exigem muito tempo e tempo é justamente o que eu não tenho agora.
AH - Você tem alguma perspectiva ou plano de quando irá parar?
Agberto - Não faço planos de tempo, mas sim de avaliação física, técnica... Enquanto eu estiver bem, contribuindo para o grupo, vou continuar jogando, mas não sei até quando, de repente até 35, 38 anos... Se eu estiver atrapalhando, mal fisicamente, terei que avaliar. Mas ainda não penso em parar.
AH - Além de jogar, você é professor na Escola de Esportes, mantida pela Metodista e pela prefeitura de São Bernardo. Como é participar do projeto e passar sua experiência para crianças e adolescentes?
Agberto - Esse é um trabalho muito sério, estamos com cerca de mil crianças nas escolinhas, e é muito gratificante ver que essas crianças nos vêem como ídolos e nos têm com espelho. Tomo muito cuidado para sempre servir como um bom exemplo, jamais influenciar uma criança negativamente. O fato de existir esse trabalho, que está sedimentado, difundido e enraizado aqui no ABC é muito gratificante para nós, são mil crianças que vivem o handebol e que nos têm como uma parte importante de suas vidas. Essa é a maior gratificação que posso ter como professor.
AH - E você, tem algum ídolo no handebol, alguém em quem se espelhou ou se espelha?
Agberto - É engraçado porque em Cubatão não víamos ninguém, não tínhamos fita de nada e acho que por isso eu não tinha nenhuma referência. Quando tinha a oportunidade de sair para disputar algum campeonato, eu procurava observar todos os atletas e ver o quê de cada um eu poderia colocar no meu jogo. Até hoje, quando vou para a Europa, observo todos os meio-esquerdas e vejo o que cada um tem de bom e que posso colocar no meu jogo. Mas não dá para citar um nome, são vários jogadores.
 Final da Liga Nacional 2003, contra o Imes/São Caetano (Foto: CBHb)
AH - Você utiliza suplementação alimentar?
Agberto - Eu estive, durante o ano de 2003, numa rotina especial por causa da lesão. Perdi muita massa muscular, fiquei quatro meses parado, então precisei de suplementação para readquirir massa muscular. Precisei de creatina e alguns outros suplementos para ajudar a transformar o meu peso em músculo novamente.
AH - Normalmente, sem lesão, você usa quais suplementos?
Agberto - Normalmente eu tomo aminoácidos, para repor o que é gasto durante os treinos. Creatina só utilizo em momentos específicos, quando o objetivo do trabalho de musculação é o ganho de força. Todos os suplementos que utilizo são sob a orientação do nosso preparador físico.
AH - Quais são as suas expectativas para este ano?
Agberto - Meu foco maior agora passou a ser as Olimpíadas. Vou trabalhar bastante e dar o meu melhor para conseguir ir para Atenas.
AH - Para finalizar, deixe o seu recado para os torcedores de todo o Brasil!
Agberto - Para quem gosta do handebol, não desista, continue apoiando, o handebol está crescendo e evoluindo bastante, parece até chavão, mas não é, é a realidade. O handebol ainda é um pouco negligenciado pela grande mídia, mas quanto mais pessoas divulgando, apoiando, unindo forças, melhor para esse crescimento.
Ah - Muito obrigado e boa sorte nesta temporada de 2004!
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