ENTREVISTA - EVERALDO
Tarcius Guedes - Abril / 2004
Nome Completo: Everaldo Vasconcelos Lopes Ferreira
Apelidos: Melé e Eve
Idade: 42 anos
Altura: 1,80 m
Peso: 87 kg
Posição: Na quadra, jogou de central, meia-esquerda, meia-direita, ponta esquerda e pivô. Na praia, é ala esquerda, tanto na defesa como no ataque.
 Everaldo (centro) ajudou o Brasil a se tornar tri-campeão Pan-Americano de Handbeach (Foto: Arquivo Pessoal)
AH - Como, quando e onde você começou sua carreira?
Everaldo - Comecei minha carreira em 1975, aos 14 anos, na escola em que estudava (Colégio Redentorista). Eu praticava todos os esportes possíveis (futebol, voleibol, basquete, natação, tênis de mesa e atletismo). O técnico de handebol, Cabral, me falou que eu deveria me dedicar ao handebol, que eu teria chances de chegar à Seleção Brasileira, enquanto nos outros esportes eu seria apenas um bom atleta. Daí a opção pelo handebol.
AH - Por quais clubes você já passou? Quais foram os seus principais títulos?
Everaldo - Os clubes que eu joguei foram: Campinense Clube (Campina Grande, PB), Flamengo, Guaíba, Radar, Mangueira, Pioneiros, Vasco, Olaria, Fluminense e Bandeirantes (Rio de Janeiro). Os principais títulos por clubes foram: Campeonato Carioca pelo Guaíba, Radar, Mangueira (bi-campeão) e Vasco (bi-campeão), e campeão do Nordestão de 1982, peloCampinense. Títulos pela Seleção: Campeonato Brasileiro Estudantil de 1978 (pela Paraíba) e Vice-campeão Brasileiro Universitário em 1986 (pelo Rio de Janeiro).
AH - E quando foi a primeira convocação para a Seleção? De quantos torneios internacionais você já participou pela Seleção?
Everaldo - Minha primeira convocação para a Seleção Brasileira de quadra foi em 1978. Disputei dez torneios pela Seleção de quadra e seis pela Seleção de praia.
AH - No Handbeach, quais foram os seus principais torneios e resultados?
Everaldo - Na Seleção de praia, os principais torneios que participei foram: Mundialito/1994 (campeão), Mundialito/1995 (3º lugar), Campeonato Pan-Americano/1998 (campeão), Pan-Americano/1999 (campeão), Campeonato Mundial/2001 (3º lugar) e Pan-Americano/2004 (campeão).
 Seleção Brasileira Adulta de Beach Handball (Foto: Arquivo Pessoal)
AH - Na sua carreira, qual foi a maior decepção e a maior vitória?
Everaldo - Minha maior decepção foi em 2001, quando fui submetido a uma cirurgia no joelho, mas me recuperei e estava treinando normalmente para o Mundial de Beach no Japão. Porém, na véspera do embarque, o joelho acusou o esforço, inchou bastante e eu não consegui render o que poderia. Isso me deixou extremamente triste. As alegrias foram muitas, mas duas vitórias me marcaram muito: A primeira foi em 1981, na Copa Latina (indoor), realizada no México. Nós estavamos com uma equipe equilibrada dentro e fora de quadra, vencemos a França (vitória para ficar na história) e fomos Vice-Campeões. A segunda foi em 1998, no Pan-Americano de Beach, quando batemos, de forma incontestável e inédita, a equipe de Cuba na final.
AH - Você já pensou em desistir do handebol alguma vez? Quando e por que?
Everaldo - Na quadra eu já parei de jogar, mas enquanto jogava nunca pensei em desistir. Na praia eu pensei em desistir depois do Mundial do Japão, devido ao problema com o meu joelho.
AH - Sobre o patrocínio da Petrobrás, da Penalty e as novas ações feitas pela Confederação Brasileira. Como você analisa a atual situação do handebol no Brasil?
Everaldo - O patrocínio da Petrobras e da Penalty está sendo fundamental para o desenvolvimento do esporte. Porém, ainda acho muito pouco. Não podemos pensar pequeno, achando que temos verba suficiente. Nosso esporte tem que se valorizar na hora de negociar patrocínios, mostrando que é o esporte mais praticado nas escolas do Brasil, que somos campeões Pan-Americanos na quadra e na praia, além de 3º lugar do mundo na praia.
AH - Grandes nomes do handebol são nascidos no estado do Rio, que tem também tem equipes de tradição, como Niterói, Caxias, Nilópolis, Petrópolis, etc. O que falta para o handebol do Rio ter mais destaque?
Everaldo - Para o Rio ter mais destaque no cenário nacional, falta planejamento a médio e longo prazo, seja nos clubes ou na Federação. Falta investimento nos times para que possamos manter os principais atletas, que quando se destacam são levados para São Paulo por muito pouco. Falta o contato com a mídia para divulgar e televisionar nosso campeonato, enfim, ainda somos muito amadores.
 Seleção de handbeach no Uruguai (Foto: Arquivo Pessoal)
AH - Existem milhares de estudantes que praticam handebol, mas que não continuam jogando depois da escola. Qual é a sua sugestão para mudarmos este cenário?
Everaldo - Para que os estudantes continuem praticando o handebol depois da escola, temos que ter clubes investindo na formação das várias categorias, absorvendo, assim, estes atletas. Caso contrário, eles vão praticar outros esportes ou parar de jogar.
AH - O vôlei brasileiro conseguiu, através de um projeto bem estruturado e organizado, mudar a cara da modalidade no Brasil. Você acha que isso poderá acontecer com o handebol?
Everaldo - O voleibol começou a crescer a partir da ousadia de Carlos Arthur Nuzman, que apostou todas as fichas no seu esporte. Pagou caro pela mídia e investiu em estrutura de treinamento, além de ter unido todos da sua modalidade. Se o handebol seguir este caminho, poderá atingir o mesmo sucesso.
AH - O handbeach foi criado na Europa para divulgar e popularizar o handebol. Você acredita que isso esta funcionando? Qual é sua expectativa para a modalidade?
Everaldo - O handbeach é um esporte muito dinâmico, sem violência, agradável (também pelo ambiente de praia) e que envolve o público com facilidade. Na Europa, já é uma realidade e um sucesso. Creio que deveríamos investir mais na modalidade, pois somos reconhecidos em todo o mundo como bons praticantes.
 Seleção comemora o título Pan-Americano (Foto: Arquivo Pessoal)
AH - Grandes atletas do Rio passaram por épocas de total amadorismo no handebol. Qual é o seu conselho para aqueles que estão começando e enfrentarão várias dificuldades?
Everaldo - O conselho que eu daria para aqueles que estão começando é que pratiquem o handebol por amor e com amor. Não busquem o sucesso ou o dinheiro, pois isso só ocorrerá como conseqüência de um trabalho bem feito. O retorno que devemos esperar é fazer uma quantidade enorme de amigos em todos o lugares do mundo que visitamos, e conhecer os costumes dos países-sede dos campeonatos, aprendendo um pouco de cada língua e cada cultura.
AH - Sobre o uso de esteroídes anabolizantes: o que você pensa sobre essa questão? Qual é o seu conselho para os jovens?
Everaldo - Eu sou radicalmente contra o uso de anabolisantes. Acho uma covardia e uma traição para com o verdadeiro atleta limpo, seja ele companheiro de equipe ou adversário. Quem faz uso desses artifícios deve ser banido do esporte.
AH - Muito obrigado pela entrevista!
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