ENTREVISTA - FOLHAS

Tarcius Guedes e Silvia Marques - Fevereiro / 2003



Nome: Alexandre Folhas

Data de Nascimento: 3 / 4 / 1975

Altura: 1, 85 m

Peso: 92 kg

Posição: Armador Central

Equipe: Metodista / São Bernardo




AH - Onde e quando começou a jogar?

Folhas - Comecei a jogar no Esporte Clube Banespa, fui levado por um professor de Educação Física que também era um diretor do Banespa, há exatos 17 anos atrás, quando cursava a quarta série do primário.

AH - Quais foram os principais títulos conquistados na carreira?

Folhas - Acredito que os quatro títulos da Liga Nacional e o 3º lugar no Campeonato Mundial de Clubes pela Metodista foram os mais importantes pelo clube, e pela Seleção o vice-campeonato no Pan-Americano de Winnipeg, apesar de ter sido o mais frustrante de todos pela forma como perdemos a final. Para os que não sabem, empatamos com Cuba no tempo normal, nas duas prorrogações e perdemos na disputa de sete metros. Foi difícil assimilar essa derrota, mas mesmo assim considero um título.

AH - Quando foi sua primeira convocação para a Seleção Brasileira?

Folhas - A minha primeira participação na Seleção Brasileira foi em 96, ainda na Seleção Júnior. A partir daí fui regularmente convocado.

AH - De quais torneios internacionais você participou com a Seleção?

Folhas -Disputei os seguintes torneios na categoria adulta:
Campeonato Mundial de Kumamoto - Japão – 1997
Mundial de Clubes - Áustria 1997
Jogos Pan-Americanos de Winnipeg - 1999
Campeontao Mundial do Egito - 1999
Copa Intercontinental - Arábia Saudita 2000
Campeonatos Sul-americanos e Pan-americanos
Mundial de Clubes - Qatar 2002
Torneio Internacional da Espanha - Lã Coruna - 2003
Campeonato Mundial de Portugal - 2003


Folhas enfrentando a Espanha no Torneio Internacional de La Coruña - 2003


Sobre o Mundial de 2003 em Portugal:

AH - O Brasil foi bem, mas não venceu. O que precisamos melhorar?

Folhas - Com certeza ficamos com a sensação de que fomos bem no Mundial, fizemos ótimos jogos contra potências da modalidade, alguns jogos onde os adversários não acreditavam no que estava acontecendo, como por exemplo o jogo contra a Dinamarca. Acho que precisamos melhorar e também acreditarmos que a vitória contra os times mais fortes do mundo não está tão longe, esta distância está diminuindo cada vez mais.

AH - A arbitragem "jogou" contra ou foi tudo normal?

Folhas - Não acredito que a arbitragem tenha tido influência direta no resultado dos jogos. Somente no jogo contra a Argélia tiveram lances muito claros onde eles aparentemente erraram.

AH - O Brasil jogou desfalcado, inclusive você se machucou, e no final de cada partida parecia que o time não suportava o ritmo forte. Você acha que a final da Liga Nacional deveria ter sido mais cedo para priorizar a Seleção?

Folhas - Tivemos muitos problemas de lesões que acabaram deixando o nosso plantel com dificuldades de substituição, o que acarretava um desgaste muito grande para alguns jogadores. Sobre a notícia de que eu tive um corte no supercílio, ela saiu errada, na verdade foi o Renato Tupan quem se machucou, mas eu soube que aqui no Brasil saiu que havia sido eu.

AH - E sobre as outras Seleções, quais foram os destaques?

Folhas - Neste Mundial eu fiquei muito impressionado com a Seleção da Alemanha, um time muito alto, marcando um 6:0 com quatro defensores no centro da defesa de mais de 2 m de altura, um contra-ataque muito bom, enfim, foi a Seleção que no meu ponto de vista impressionou.

AH - Neste mundial, a Argentina começou bem, venceu a Croácia e empatou com a Rússia, mas depois não conseguiu se classificar, enquanto a Croácia foi a campeã. O que falta a nós Latinos é mais experiência ou foi a preparação física que fez a diferença?

Folhas - A Argentina surpreendeu no começo e depois teve alguns tropeços, mas acho normal, como disse antes acho que nós precisamos acreditar que é possível vencer os rotulados melhores do mundo. Não acredito que tenha sido problema no condicionamento físico, mas concordo que deveríamos ter uma reformulação no nosso calendário.

AH - As grandes Seleções européias contam com um grupo de apoio enorme (algumas delegações chegam a ter 100 componentes) e possuem programas de computador que estudam os adversários. O que você acha desses recursos e na sua opinião isso é um diferencial importante entre o handebol europeu e o de outros países (como o Brasil) que não contam com tanta estrutura?

Folhas - Não, pode até ser que as equipes utilizem esses meios para treinar, estudar adversários, enfim, mas se este fosse o nosso único problema estaria muito mais fácil de ser resolvido.

Sobre o Futuro:

AH - Quais são as expectativas para o Pan de 2003?

Folhas - Este ano para nós, atletas da Seleção, é muito especial, temos a chance no Pan de conquistarmos pela primeira vez a vaga para as Olimpíadas com o resultado do nosso trabalho, e com certeza todos nós vamos dedicar todo o tempo e o esforço que for preciso para atingir o nosso objetivo.

AH - De modo geral, o handebol está crescendo em todo o Brasil. O que você acha que pode ser feito para crescer ainda mais?

Folhas - Acho que não só o handebol está crescendo no Brasil, acredito que as novas leis de incentivo ao esporte estão começando a dar condições para as confederações darem o apoio ideal ao treinamento e intercâmbio para as Seleções.

AH - Como será a rotina de preparação para o Pan e o que você espera do confronto com a Argentina?

Folhas - A programação de treinamento desta última fase de preparação antes do Pan ainda não chegou em nossas mãos, mas está pronta e logo que voltarem as atividades deveremos tomar conhecimento. E sobre o jogo contra a Argentina, será somente mais um passo que teremos que dar para alcançar nossos objetivos.

AH - Qual a sua opinião sobre a negligência do governo e patrocinadores aos esportes no Brasil? Você não acha contraditório o apoio só vir depois dos resultados, já que é muito difícil atingí-los sem que exista investimento?

Folhas - Como já disse, acho que o Brasil está no caminho certo, ainda em uma fase de aprendizado, mas com certeza com muita vontade de acertar e o melhor de tudo é que temos agora a legislação a nosso favor.

AH - O que você pensa sobre a polêmica envolvendo o jogador de vôlei Giba (flagrado num antidoping por uso de maconha)? Você acha q o uso de drogas realmente ocorre ou o caso dele é uma exceção?

Folhas - Acho que já ficou provado, e não foi o primeiro caso, temos conhecimento de grandes estrelas do esporte mundial que tiveram este tipo de problema, Maradona, por exemplo.

Recado para os Fãs:

AH - Envie um recado para aqueles que estão começando e sonham em chegar onde você chegou?

Folhas - A mensagem que eu sempre deixo para as crianças e jovens que sonham em ter sucesso no esporte é que eles não sejam apenas mais um no meio de um monte de atletas, sejam diferentes, treinem sempre mais do que todos que estão disputando um lugar com você, não desista e continue lutando, ou melhor, treinando. Agora, nunca desista ou abandone os estudos porque nossa carreira não é infinita e com certeza você vai precisar ser alguém quando a sua acabar.

AH - E para aqueles que estão pensando em tomar substâncias estimulantes para aumentar a performance, debilitando a saúde?

Folhas - Acredito que este assunto é muito complexo, e se qualquer pessoa procurar obter informações sobre estes produtos vai encontrar uma lista enorme de efeitos prejudiciais à saúde que irão orientar sobre  a decisão de usar ou não estes produtos.

AH - E sobre a proposta do site Amigos do Handebol, o que você acha?

Folhas - Acho que vocês do site estão realmente de parabéns pelo trabalho que estão fazendo, são de pessoas assim que o handebol brasileiro está precisando.


VEJA OUTRAS ENTREVISTAS AQUI !