ENTREVISTA – GONZALO VISCOVICH
Silvia Marques – Abril / 2003
Nome Completo: Gonzalo Viscovich
Idade: 26 anos
Altura: 1, 87 m
Peso: 90 kg
Naturalidade: Buenos Aires - Argentina
Posição: Ponta Esquerda / Armador Esquerdo / Central
Equipe: Metodita / São Bernardo
AH – Qual a sua trajetória no handebol e como chegou ao Brasil e à Metodista?
Gonzalo – Minha trajetória começou na escola Nossa Sra. de Lujan, um clube que inclusive já é conhecido no Brasil por ter disputado campeonatos aqui e ter sido campeão Sul-Americano em 1997 vencendo a Metodista. Em 1995 fui convocado para a Seleção Argentina pela 1ª vez e à partir daí passei a disputar competições internacionais. Em 2000 fui convidado pelo Flamengo, joguei lá 7 meses, voltei para a Argentina por um breve período e na temporada de 2001 vim para a Metodista.
AH – Quais os principais títulos que você conquistou com a Metodista e com a Seleção Argentina?
Gonzalo– Com a Metodista, os principais títulos foram: Campeonato Sul-Americano 2001 / Liga Nacional 2001 / Jogos Abertos do Interior 2001 / Campeonato Paulista 2001 / Liga Nacional 2002. Com a Seleção Argentina foram: Campeonato Sul-Americano 1998 e 2002 / Campeonato Pan-Americano 2000 e 2002. Foi também muito importante para mim ter participado de vários Mundiais: Japão 97, Egito 99, França 2001 e Portugal 2003.
 Gonzalo (à esquerda) em ação pela Metodista
AH – Quais as principais diferenças táticas entre Brasil e Argentina, na sua opinião?
Gonzalo – Acho que a principal diferença é que historicamente o jogo do Brasil sempre foi mais tático, enquanto a Seleção Argentina usa muitas movimentações com leitura para tomar diferentes decisões, sem um finalizador pré-estabelecido. O Brasil costuma manter um jogo mais ordenado, mantendo sempre a mesma tática e posicionamento dos jogadores. Mas já desde o ano passado a equipe da Metodista tem mudado um pouco isso e está jogando muito melhor com essa sistemática nova.
AH – E a que você atribui as consecutivas vitórias da Argentina sobre o Brasil?
Gonzalo – Bom, ultimamente temos estado bem, ganhado, não acho que seja só uma questão de sorte, mas sim o resultado do trabalho que temos feito. Um ponto importante é que nos últimos anos vários jogadores argentinos têm ido jogar no exterior, o que faz com tenham um desenvolvimento individual muito grande. Acho que quanto mais atletas jogando fora, mais se eleva o nível da Seleção. Cada vez que nos reunimos, sentimos o grupo melhor, mais experiente.
AH – Você sabe quantos jogadores argentinos atuam no exterior atualmente?
Gonzalo – São seis na Europa, o goleiro Christian foi recentemente para a Rússia, e no Brasil estou eu e o Roberto, que joga no Pinheiros.
AH – E o seu irmão Martin, não está mais no Brasil?
Gonzalo – Não, ele jogou no Pinheiros em 2002, e este ano voltou para a Argentina.
AH – Como é o trabalho físico, tático, e a rotina de treinamentos da Seleção Argentina?
Gonzalo – Os jogadores que estão na Argentina treinam regularmente em Buenos Aires, de três a quatro vezes por semana, e talvez já estejam treinando diariamente como preparação para o Panamericano. Esses treinamentos constantes são um fator importante para manter o entrosamento da equipe e nós que estamos fora, quando vamos pra lá, apenas nos encaixamos num trabalho que já está em andamento há bastante tempo.
AH – Vocês que estão no exterior, quando são convocados para concentrações?
Gonzalo – Normalmente somos chamados entre 15 dias a 1 mês antes do campeonato, dependendo da dificuldade, de quanto precisaremos nos preparar.
AH – Qual a expectativa para o Pan-Americano? O Brasil é considerado o adversário mais forte para vocês?
Gonzalo – Com certeza, acredito que se tudo correr normalmente a final deverá ser entre Brasil e Argentina. E claro que estamos trabalhando para vencer e conseguir a vaga Olímpica!
AH – Sobre o Mundial de Portugal, como você avalia a participação da Argentina e a vitória de vocês sobre a Croácia?
Gonzalo – Foi uma participação muito boa, principalmente devido a nossa vitória sobre a Croácia, que foi depois Campeã Mundial. Foi uma grande surpresa, tivemos até destaque na imprensa por causa disso, pois fomos a única equipe a ganhar deles. Tivemos também o empate contra a Rússia, que foi um resultado excelente, por se tratar de um país com muita tradição no handebol (a Rússia é campeã Olímpica e Mundial). Depois dessas duas partidas tivemos um declínio, nosso maior problema foi o desgaste físico, os jogadores passaram a se lesionar facilmente, etc, mas se não fosse isso poderíamos ter tido resultados ainda melhores. Apesar de não termos passado para a 2ª fase, considero nossa participação histórica.
AH – Você acha que os resultados contra a Croácia e a Rússia foram conseguidos porque vocês estavam bem ou porque os adversários estavam mal nas partidas?
Gonzalo – Nós estávamos realmente muito bem nas duas ocasiões e surpreendemos os dois adversários. Na partida contra a Croácia, eles entraram nos subestimando e quando acordaram e entraram no jogo já era tarde e conseguimos a vitória. Contra a Rússia foi parecido, corremos atrás o tempo todo, mas conseguimos apenas o empate. Atingimos esses resultados porque o time jogou muito bem e se sacrificou muito, nosso desgaste foi tão grande que à partir do 3º jogo não tivemos mais condições de manter o mesmo nível.

Gonzalo no Mundial de Portugal, marcando atacante francês
AH – Quais os pontos fortes e fracos da Seleção Argentina, na sua opinião?
Gonzalo – O ponto forte é a dedicação da equipe, o sacrifício que fazemos, tentamos sempre ir além dos nossos limites. A Argentina não tem o jogo mais bonito, os maiores talentos individuais ou até mesmo a melhor técnica, mas a nossa vontade e o nosso sacrifício compensam essas deficiências. O ponto fraco da Argentina é o mesmo do Brasil, falta de competência frente a equipes de alto nível, que compromete o nosso desempenho em Campeonatos Mundiais.
AH – E o que você considera seu ponto forte e fraco como atleta?
Gonzalo – Meu ponto forte é gostar muito de treinar e procurar dar sempre o melhor de mim. Considero meu ponto fraco o condicionamento físico, que preciso melhorar, principalmente das pernas.
AH – Você está fazendo algo além dos treinos? Estuda, trabalha...
Gonzalo – Não, no momento estou me dedicando somente ao handebol. Futuramente pretendo até voltar a estudar ou trabalhar, mas por enquanto estou voltado somente ao esporte.
AH – Quais os seus planos? Pretende continuar no Brasil ou voltar para a Argentina?
Gonzalo – Não pretendo voltar para a Argentina, estou bem no Brasil. A Metodista é um lugar maravilhoso pra jogar handebol, sou amigo dos jogadores e do corpo técnico, que tem me ajudado muito. Me sinto muito bem aqui e vou aproveitar a oportunidade que estou tendo no Brasil. Acredito que estou dando um grande passo para atingir meus objetivos como atleta.
AH – Para terminar, que recado você deixa aos torcedores?
Gonzalo – Meu recado é que prestigiem e pratiquem o handebol, pois é um esporte bonito, dinâmico, bom de assistir e de jogar. Precisamos de apoio para conseguir um espaço maior na mídia, na TV, para trazer mais publicidade e patrocínio ao handebol.
AH – A equipe do Amigos do Handebol agradece!
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