ENTREVISTA - SIDNEY
Silvia Marques - Agosto / 2003

Nome Completo: Sidney Santos Costa
Data de Nascimento: 1 / 5 / 1980
Naturalidade: Ariquemes - RO
Altura: 1, 89 m
Peso: 90 kg
Posição: Armador Direito / Ponta Direita
Equipe: Metodista / São Bernardo
 Sidney encara a marcação sueca no Mundial de Portugal
AH - Quando e onde você começou a jogar, e por quais clubes passou até chegar à Metodista?
Sidney - Eu comecei a jogar aos 10 anos. Conheci o handebol através do meu irmão, que já jogava, e comecei a praticar na minha cidade mesmo (Vilena, em
Rondônia). De lá fui para outra cidade, que ficava a umas 3 horas de distância, e entrei para um clube chamado Elite Handebol clube, onde fiquei por pouco mais de 2 anos. Nessa época fui convocado para a Seleção Juvenil e através disso recebi um convite para jogar em Santa Catarina. Fiquei lá por 2 anos, joguei em Concórdia, Chapecó e Florianópolis. Em 97, durante o Campeonato Brasileiro Júnior, recebi o convite para vir para a Metodista e me transferi em 98.
AH - Seu irmão também continuou a jogar?
Sidney - Não, ele parou, e hoje trabalha em outra área.
AH - Como foi sair de Rondônia e ir jogar no Sul? Você se adaptou bem? Teve o apoio da família e dos amigos?
Sidney - Foi tranqüilo porque eu já estava fora de casa na época, já jogava em outra cidade e tomava todas as decisões. Meus amigos que jogavam comigo me incentivaram a ir, me passaram confiança de que daria tudo certo, então não tive nenhum problema. Eu também me adapto muito fácil, portanto foi tranqüilo também nesse sentido.
AH - Quando foi a sua primeira convocação para a Seleção Brasileira e quais foram os principais campeonatos de que participou?
Sidney - A primeira convocação foi quando eu tinha 15 anos, para a Seleção Cadete. Para a Seleção Adulta fui convocado pela primeira vez aos 19 anos. Participei de dois Mundiais com a Seleção Júnior (em 99 e 2001) e com a Seleção Adulta participei do Mundial da França em 2001 e do Mundial de Portugal em 2003. Além de Campeonatos Sul-Americanos e Pan-Americanos.
 Sidney durante amistoso na Europa
AH - Em junho, na fase final do Campeonato Paulista, você se contundiu. O que aconteceu, você já vinha machucado?
Sidney - A contusão foi no joelho, rompi o ligamento cruzado anterior. Aconteceu de repente, eu estava bem, não tinha nada nem estava sentindo o joelho.
AH - E qual o período previsto para a sua recuperação?
Sidney - Eu operei dia 17 de Junho, e a recuperação leva cerca de 6 meses.
AH - Então você deve ficar fora de toda a Liga Nacional...
Sidney - Provavelmente sim, apesar de até agora a recuperação estar indo bem. Vai depender também muito de mim, vou fazer o possível para acelerar essa recuperação e conseguir voltar a jogar ainda este ano.
AH - Foi muito difícil passar por essa contusão às vésperas do Pan? Você estava muito bem e era um nome certo entre os convocados...
Sidney - Fiquei triste, é claro, porque estava numa boa fase e é uma competição muito importante, queria muito ter ido. Foi frustrante porque tinha me dedicado muito para estar bem e ser convocado, daí acontece uma contusão e me tira das quadras... Foi difícil, mas o que me conforta um pouco é saber que se não fosse essa lesão eu teria ido. Ficaria mais triste se tivesse ficado fora do Pan por não estar jogando bem.
 Sidney (ao centro) comemora com os companheiros da Metodista o hexacampeonato da Liga Nacional, em 2002
AH - Como você avalia a atual fase da Seleção Brasileira?
Sidney - A Seleção está numa fase muito boa, estamos com um trabalho muito bem feito e os resultados que vêm acontecendo são muito importantes para aumentar a nossa auto-estima, a nossa confiança, para melhorarmos cada vez mais. O Brasil tem tudo para progredir muito rápido, e com certeza a preparação para as Olimpíadas vai fazer com que esse trabalho cresça ainda mais.
AH - Você, entre alguns outros jogadores da Metodista, foi sondado para jogar na Itália. Pretende ir?
Sidney - Como você soube disso? (risos) Foi um convite que apareceu, mas não tem nada certo ainda!
AH - Mas você tem o objetivo de jogar na Europa?
Sidney - Ah, isso todo jogador tem... Acho que todo jogador de certa forma se prepara para um dia jogar no exterior. Eu sempre me dediquei para chegar a esse nível e o fato de ter aparecido essa oportunidade é um incentivo a mais para eu me recuperar e voltar às quadras logo.
AH - E como é o handebol italiano? Ouvimos falar muito sobre o progresso do handebol em alguns países da Europa, mas não da Itália especificamente.
Sidney - Não sei como anda o progresso, mas o handebol italiano é bom, é uma boa escola, mas não conheço muito. Um lugar muito bom de jogar seria a Alemanha porque eu conheço um pouco do handebol alemão e sei como são os treinos, sei que é muito puxado, que iria crescer bastante lá.
AH - Você estuda ou trabalha além de jogar? Quais os seus objetivos para o futuro?
Sidney - Além de jogar, eu estudo. Estou no 2º ano de Educação Física na Metodista, e por enquanto meus planos são me formar e fazer outra faculdade, talvez Administração.
AH - Quem é o seu ídolo no handebol?
Sidney - Eu admiro muito o Jackson Richardson (França) e o Dujshbaev (Espanha). Na minha opinião, eles são os melhores jogadores atualmente.
AH - Você é um jogador que finaliza muito bem. O fato de ser canhoto ajuda, mas além disso você tem algum macete?
Sidney - Eu sou um pouco ousado, não penso muito. Se eu achar que dá para fazer, vou e faço, se dá para arremessar, vou e arremesso! Eu não fico me preocupando, pensando no erro, só penso no acerto, e isso faz com que eu me dê bem nos arremessos.
 Canhoto, Sidney é um dos artilheiros da equipe da Metodista
AH - Qual a sua opinião a respeito de doping? O que você aconselharia aos jovens que imaginam que o alto rendimento depende de doping?
Sidney - É complicado falar sobre isso, mas acho que ninguém precisa desse tipo de recurso. Você tem que ser você mesmo, ter seus objetivos e respeitar o seu biotipo, não querer parecer com outra pessoa. Ninguém precisa fazer coisas que não são legais, usar drogas, para chegar a um clube grande ou a uma Seleção. Eu, por exemplo, não tenho uma massa muscular tão desenvolvida, mesmo treinando e fazendo academia não fico muito forte, é o meu biotipo, e isso não me impede de jogar bem.
AH - Para finalizar, deixe o seu recado para os torcedores de handebol do Brasil!
Sidney - Eu peço para que o torcedor de handebol torça sempre com o sentimento, que procure sempre ajudar sua equipe da melhor maneira possível, porque a gente vê muitas vezes no futebol os torcedores derrubando a equipe, faltando com o respeito, e espero que isso nunca aconteça com o handebol.
AH - A equipe do Amigos do Handebol agradece e espera revê-lo em breve nas quadras!
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