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ENTREVISTA - DANIEL SUAREZ
Silvia Marques - Outubro / 2003
 (Foto: Divulgação Metodista/São Bernardo)
Nome Completo: Daniel Robert Suarez
Data de Nascimento: 8 / 4 / 1966
Naturalidade: Piñal del Río - Cuba
Altura: 1, 96 m
Peso: 102 kg
Posição: Armador Direito e Armador Esquerdo
Equipe: Metodista/São Bernardo
 Cubano em ação pela Metodista (Foto: Divulgação Metodista/São Bernardo)
AH - Quando e onde você começou a jogar e qual foi sua trajetória até aqui?
Suarez - Eu comecei a jogar na escola. No meu país é costume já começar a treinar na escola. De lá fui para a Área Esportiva, que é o local onde se procuram novos talentos em Cuba. Posteriormente, ainda com 7 ou 8 anos de idade, fui para a Escola de Iniciação, onde me formei como atleta, e aos 14 ou 15 anos fui para a equipe nacional. Em 1996 estive no Brasil com a Seleção Cubana disputando amistosos contra a Seleção Brasileira e recebi o convite da Universidade Metodista para trabalhar na formação de atletas no projeto Escola de Esportes e atuar na equipe principal.
AH - Como foi sua adaptação ao chegar aqui?
Suarez - Os primeiros seis meses foram difíceis, mas somos latinos, os brasileiros são hospitaleiros como os cubanos... Tive que me adaptar ao idioma, aos costumes, à alimentação, mas no final, dançar samba é igual a dançar salsa!
AH - Você ainda sente muita falta de Cuba?
Suarez - Muita falta, muita saudade... Minha família mora lá, meu filho, que tem 14 anos, também. Minha cultura está lá, meus amigos estão lá, e já faz três anos que não vou para Cuba, devo ir ano que vem para o aniversário do meu filho. Estou no Brasil há seis anos, aqui é a minha casa, mas minhas raízes não posso jamais esquecer.
AH - Pretende algum dia voltar, ou está estabelecido no Brasil definitivamente?
Suarez - Estou estabelecido no Brasil, mas não posso afirmar que jamais voltarei a Cuba porque lá é minha terra, é onde nasci, e a vontade de voltar sempre existe.
AH - Além de jogador, quais são as suas funções na Metodista hoje?
Suarez - Sou técnico da categoria infantil masculina e da categoria juvenil feminina, e também assistente administrativo do Departamento de Esportes.
 Ao lado de Baldacin, Suarez comemora a coquista do hexacampeonato da Liga Nacional em 2002
AH - Durante quanto tempo você defendeu a Seleção Cubana e quais foram os principais campeonatos em que esteve?
Suarez - Comecei muito cedo a defender as cores da minha pátria. Aos 13 anos já compunha a Seleção Juvenil e defendi a Seleção até 96, portanto foram cerca de 17 anos. Estive em muitos campeonatos representando Cuba, incluindo Campeonatos Pan-Americanos, Jogos Pan-Americanos e quatro Campeonatos Mundiais. Fui também hexacampeão da 1ª divisão cubana.
AH - Você chegou a ir para as Olimpíadas?
Suarez - Não tive a oportunidade de estar em Jogos Olímpicos porque em 84 não fomos por motivos de segurança, em 88 perdemos a vaga para os EUA e em 92 e 96 Cuba decidiu não mandar o handebol para os Jogos e a vaga foi repassada para o Brasil.
AH - Como você avalia o desempenho do Brasil no Pan?
Suarez - Os amistosos foram muito bons, o Brasil se preparou muito bem para conquistar a vaga Olímpica. A conquista do Pan foi excelente, o Brasil realmente jogou melhor e mereceu a vitória.
AH - Ao longo da história do handebol, o Brasil jogou contra Cuba 32 vezes e venceu apenas 5, das quais 3 foram na série de amistosos realizados em Julho, durante a preparação para o Pan. Você acha que isso mostra uma evolução no handebol brasileiro ou uma retração no handebol cubano?
Suarez - O Brasil evoluiu muito, tem crescido muito. A situação de Cuba é econômica, os jogadores estão fora do país, há jogadores naturalizados na Hungria, Espanha, Argentina, Irlanda... Mas Cuba é uma potência esportiva, é uma máquina de fazer atletas, existem muitos atletas sendo formados e com isso a equipe nacional está sofrendo uma grande reformulação.
AH - Você esteve nas finais do Pan de 91 e 95 contra o Brasil?
Suarez - Sim, estive em Havana/91 e Mar Del Plata/95. A equipe cubana sobrou muito nas duas ocasiões.
AH - O que você acha que o handebol brasileiro precisa para manter o bom desempenho nos próximos anos e no Pan de 2007?
Suarez - Primeiramente a Seleção Brasileira precisa de uma formulação, é preciso vincular a experiência de jogadores mais velhos com jogadores jovens e fazer um trabalho a longo prazo, visando o Pan de 2007. Paralelamente com a preparação para as Olimpíadas de Atenas, já é preciso começar a pensar em 2007 e 2008.
AH - Argentina e Cuba serão ameaças para a manutenção do título Pan-americano pelo Brasil em 2007?
Suarez - Ao lado do Brasil, Argentina e Cuba sempre serão potências no handebol. O Brasil perdeu três finais seguidas para Cuba, precisou de muitos anos para conseguir essa vitória, portanto acho que continuarão a ser adversários difíceis para o Brasil, sim...
AH - E você acompanhou o desempenho do Brasil no Mundial Júnior Masculino? O que achou?
Suarez - Sim, assisti aos jogos e considero a participação do Brasil muito positiva, ficando com o 8º lugar. Está de bom tamanho, o trabalho está sendo feito, agora a Confederação Brasileira precisa analisar e buscar a criação da escola brasileira de handebol. Você pode até copiar outras escolas, mas precisa colocar isso em prática adaptando ao seu material humano.
AH - Você acredita na profissionalização do handebol no Brasil?
Suarez - Para deixar o amadorismo, temos que pensar como profissionais. Acho que o handebol caminha para isso, e acredito que dentro de algum tempo os atletas poderão se dedicar exclusivamente ao esporte, como acontece com o futebol ou o vôlei.
AH - Sobre o seu futuro: Até quando pretende jogar? Tem planos de continuar sua carreira como técnico?
Suarez - Pretendo jogar até quando estiver bem, quando eu perceber que não está dando mais, passarei a oportunidade para a juventude. Sou formado em Educação Física e meus planos são de me estabelecer como técnico. Também tenho planos de dirigir esporte, continuar trabalhando na área administrativa.
AH - Ao longo da sua carreira, surgiram propostas para jogar na Europa?
Suarez - Sim, muitas propostas apareceram quando eu estava na Seleção Cubana, de países como Espanha, Alemanha... Mas na época eu não tinha a intenção de deixar o meu país. Quando estive com a Metodista no Mundial de Clubes da Áustria fui novamente convidado por um clube espanhol e não aceitei. Estou muito feliz no Brasil e na Metodista, tenho vários amigos aqui e me sinto em casa.
 Cubano mostra seu amor pela camisa da Metodista (Foto: Divulgação Metodista/São Bernardo)
AH - E você acredita que deva aumentar o número de jogadores brasileiros nos clubes europeus?
Suarez - As portas devem se abrir mais para o Brasil, acredito que dentro de uns dois anos aumente bastante o número de brasileiros na Europa. Atualmente estão dois jogadores e três jogadoras, mas acredito que a tendência é que aumente, assim como aconteceu com Cuba, que tem todos os jogadores da Seleção Adulta jogando na Europa atualmente.
AH - Quais foram a vitória e a derrota mais marcantes da sua carreira?
Suarez - A vitória mais marcante foi no Mundial da França, em 91. Eliminamos a França, que era um adversário muito forte e no ano seguinte foi bronze nas Olimpíadas. A pior derrota foi quando perdemos o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis para os EUA.
AH - Você tem algum ídolo no handebol?
Suarez - Ao longo da minha trajetória, já me espelhei em muitos jogadores. Quando garoto, eu me espelhava naqueles que faziam parte da elite do handebol cubano na época. Entre os que admiro hoje, estão o cubano José Meningen, o Ronaldo SB e o goleiro Marcão.
AH - Como é a sua alimentação e rotina de treinamentos?
Suarez - Minha alimentação é um tanto desorganizada, mas é basicamente composta de frutas, legumes e carboidratos. Além disso, um bom descanso e boas horas de sono são importantes. Minha rotina de treinos é a mesma do restante da equipe da Metodista, temos treino e musculação diariamente.
AH - E como estão as expectativas para a Liga Nacional?
Suarez - Esta é a sétima Liga Nacional e a expectativa é muito grande, a Metodista vem em busca do sétimo título. Estamos nos preparando muito para vencer.
AH - A equipe vem enfrentando alguns problemas com contusões...
Suarez - O Sidney sofreu uma cirurgia no joelho e deve ficar afastado até o final do ano, o SB está com uma contusão no ombro, o Gustavo passou por uma cirurgia no tornozelo mas já está voltando, o Agberto ficou alguns meses se recuperando de uma cirurgia na mão mas já está bem e eu também sofri um entorse no tornozelo.
AH - O que você deixa como mensagem para aqueles que torcem pela Metodista e admiram o seu trabalho?
Suarez - Continuem amando a camisa da Metodista, sentindo orgulho de viver em São Bernardo e lotem cada vez mais os ginásios, não só para os jogos das equipes principais mas também das categorias de base, que são o futuro do handebol. Isso é muito importante para continuarmos cada vez mais a obter resultados e colher os frutos do nosso trabalho e da nossa perseverança.
AH - Em nome dos torcedores de todo o Brasil, agradecemos muito a sua colaboração para o site!
 (Foto: Divulgação Metodista/São Bernardo)
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