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MANOEL LUIZ DE OLIVEIRA FALA SOBRE A PREPARAÇÃO PARA AS OLIMPÍADAS
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Silvia Marques - 28/05/2004
Como veículo independente, cujo objetivo é contribuir da melhor maneira possível para o crescimento do handebol brasileiro, ficamos muito satisfeitos por estarmos levantando questões relevantes e promovendo debates significativos. Faço minhas as palavras do célebre escritor Nelson Rodrigues: "Toda unanimidade é burra! Quem pensa como a unanimidade, não precisa pensar". Sendo assim, muitos concordarão que a preparação do Brasil para Atenas não está adequada, outros afirmarão o oposto, e haverá ainda aqueles que terão novos pontos de vista. É justamente através desse intercâmbio de idéias que chegaremos a soluções para os problemas que o nosso esporte enfrenta rumo a bons resultados internacionais.
Após ler a matéria FALTA DE ESTRUTURA COMPROMETE A PREPARAÇÃO PARA ATENAS, publicada no último dia 24 de maio, o Professor Manoel Luiz de Oliveira, presidente da Confederação Brasileira de Handebol, atenciosamente nos procurou para prestar alguns esclarecimentos. Uma vez que o nosso objetivo é a busca pela informação verdadeira e imparcial, fazemos questão de publicar prontamente as posições do Professor e da entidade que ele representa.
Antes de passarmos para as declarações do presidente, faz-se necessário um esclarecimento. Todo o conteúdo da reportagem em questão é resultado de pesquisas realizadas em diversas fontes, que incluem coberturas realizadas pelos jornais das cidades onde são realizadas as concentrações, as programações oficiais divulgadas pela Confederação no início deste ano, as informações divulgadas pela assessoria de imprensa da CBHb e dados obtidos através dos sites oficiais do Comitê Olímpico Brasileiro e do Ministério do Esporte. A coluna expressa a opinião do site Amigos do Handebol e não tem a participação direta ou indireta de nenhum membro das Seleções Masculina ou Feminina.
Em conversa telefônica, o Professor Manoel Luiz falou, inicialmente, sobre o momento do handebol, que, ao seu ver, tem todas as condições de trazer um resultado expressivo de Atenas. "Nunca na história do handebol brasileiro os atletas tiveram as condições que estão tendo hoje. Estamos realizando uma preparação inédita, procurando resolver as falhas que foram apontadas no passado. Sempre se falou que o Brasil perdia para si mesmo, devido a erros de fundamento decorrentes de pouco tempo de preparação para as competições. Pensando nisso, estamos realizando um semestre inteiro de treinamentos. Contamos com o apoio de todos os clubes, que liberaram os seus atletas para a Seleção, e estamos fazendo o melhor possível dentro das nossas condições."
O presidente esclareceu que o patrocínio da Petrobrás está sendo repassado ao longo de 18 meses, o que resulta em uma média de pouco mais de setenta mil reais por mês, e não de cem mil, conforme havíamos divulgado (consideramos uma vigência de um ano para o contrato). "O acordo firmado em junho de 2003 é realmente de 1, 3 milhão, mas este contrato vigora até dezembro de 2004, portanto o valor mensal é inferior ao que foi divulgado". Manoel ressaltou também que a CBHb está em vias de ser certificada com o ISO 9001: "Fomos auditados pelo órgão competente, todas as nossas contas estão em dia e receberemos em breve a certificação de competência de gestão. Trabalhamos sempre com muita transparência e seriedade."
Ainda falando sobre as finanças da entidade, o Professor mencionou a distribuição da verba da Lei Piva e o montante destinado às Seleções Olímpicas: "A distribuição da verba foi discutida, socializada e aprovada. Temos que investir nas Seleções Olímpicas, mas precisamos também pensar nas demais categorias. Não podemos cair no erro que caiu os EUA, que já tiveram a hegemonia do continente, mas, por falta de investimento nas categorias menores, hoje têm um handebol inexpressivo. Estamos investindo nas Seleções, mas também estamos preocupados em fazer a geração de amanhã."
Oliveira afirmou que os treinos das Seleções surtirão efeito e que a falta de amistosos não será prejudicial. "O único país que está treinando mais que o Brasil para as Olimpíadas é a Grécia. Os demais países europeus não estão nem com Seleção formada ainda. A temporada acabou de terminar e os atletas estão, inclusive, muito desgastados. Por isso, acredito sim num resultado muito positivo das nossas equipes. A falta de amistosos não será crucial porque a principal fraqueza do Brasil é, como já disse, os erros técnicos, de fundamentação, e isso está sendo trabalhado nos treinos. Foi feito todo um planejamento em cima disso e todas as fases de treinamento estão decorrendo de acordo com esse planejamento", explicou.
Sobre a estrutura, o presidente comentou: "Nós sabemos o nosso tamanho. O handebol ainda não pode querer ter a mesma estrutura de modalidades como o futebol ou o vôlei. Nenhum centavo da verba programada para as Seleções foi diminuído, mas, apesar do apoio ter crescido, ainda temos muitas dificuldades. Temos que ter os pés no chão e nos lembrar que estamos no Brasil. Não importa o quanto cresçamos, jamais teremos a estrutura que tem a Europa. Estamos dando tudo para as Seleções dentro do possível, mas temos limitações e não podemos ser irresponsáveis de fechar a Confederação somente para atendê-las."
"Tínhamos realmente a intenção de trazer um adversário europeu para amistosos", continuou. "Tínhamos um contato, mas alguns acertos ainda estavam pendentes. Por não podermos oferecer muitas vantagens à equipe convidada, de certa forma dependemos da boa vontade da equipe em se dispor a vir para o Brasil. Apesar do nosso esforço, é muito difícil trazer uma equipe européia para cá e houve o cancelamento por parte da que viria jogar conosco", lamentou. "Mas teremos amistosos. No mês de junho, a Seleção Masculina receberá o Chile e a Feminina, a Argentina. Estamos negociando também a vinda das Seleções Cubanas e a realização de treinos e amistosos na Europa. A Seleção Feminina participará de um torneio pré-olímpico na França e seguirá para treinos na Espanha, antes do embarque para Atenas. A Seleção Masculina também deverá treinar e jogar na Espanha antes de estrear nos Jogos Olímpicos."
Segundo o presidente, nenhum dos atletas ou membros das comissões técnicas tem motivos para reclamar. "Se alguém reclamar das condições que estão sendo oferecidas para os treinos, ou está deslumbrado ou está buscando uma desculpa para justificar um resultado ruim que ainda nem aconteceu. A fase de treinos realizada em Belo Horizonte foi muito boa, posso assegurar que as condições do alojamento foram excelentes e que os ônibus nos quais as equipes têm viajado são muito confortáveis. Não podemos oferecer mordomia, mas boas condições, com certeza estão sendo proporcionadas", afirmou, ressaltando ainda que este momento deve ser aproveitado para inserir os atletas e a modalidade no contexto social que os envolve, e que, por esse motivo, as visitas e reuniões realizadas em BH foram de extrema importância.
O Professor Manoel Luiz de Oliveira encerrou a conversa afirmando que tem muita confiança no handebol brasileiro e que a mesma determinação que trouxe a conquista do Pan motivará uma grande participação brasileira nas Olimpíadas. "Construímos uma história em cima de muitas dificuldades, com coração e amor pelo país. E continuaremos construindo, contando com muita estratégia e material humano."
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